Tá bom, deixa eu começar do começo. Nesse momento da minha vida eu tenho 26 anos de idade. Desde adolescente eu sempre idealizei ter uma Kombi, também conhecida como VW Bus, mas sei lá porquê nunca empenhei nenhum esforço nisso, até que um dia desses conversando com a minha namorada sobre planejamentos de viagens, uma vida meio nômade, conhecer esse leque infinito de cultura e gastronomia que o nosso país tem, sair da zona de conforto e desse sistema de produção/consumo inconsciente, all work and no fun,que veio a idéia! Uma kombi seria uma parceira per-fei-ta para o ponta-pé nessa experiência, e literalmente o carro-chefe dessa jornada. Aí por curiosidade fui dar uma olhada nos preços desse velho utilitário em sites de compra e venda e descobri que afinal de contas esse sonho custava barato, e que mesmo eu não tendo todo o dinheiro, faltava pouco. A vontade imediata de fazer uma loucura foi irresistível!
Para isso, eu contei com a ajuda do meu pai, que com certeza foi um companheiro fundamental nessa busca, e que agora me deixa muito feliz por termos nos aproximado mais. E então, surpreendentemente, desde a primeira olhada até a finalização da compra, foram necessários 3 domingos de pesquisa e descarte até encontrar a Virgínia! Foi amor a primeira vista. Se você olhar vai achar que é só uma carcaça de um ferro velho. Mas não se deve jamais ignorar, na vida, pra qualquer coisa, quando os seus olhos brilham. E pela VW Clipper ano 97 meus olhos brilharam e eu soube que era pra ela ser minha.
Pois bem, corre atrás então de resolver todos os documentos em débito, assina a data errada no documento de transferência no cartório, corre atrás de um despachante pra consertar a cagada e mandar tudo pro Detran a tempo, esquece mais um punhado de coisas que não se deve esquecer, coooorre mais um pouco.... ufa! Já é domingo de novo e eu to indo buscar a Virgínia no prédio do meu pai, junto com a Dani, a única entre nós duas que tem carteira de motorista.
O caminho de lá até a minha casa foi adrenalina pura! Pra começar tivemos que entrar pela porta dos fundos, em cima do motor, porque as outras não abriam com a chave. A folga (e que folga!) no volante e o emperramento no câmbio pra trocar de marcha, deixaram a Dani bem nervosa, e consequentemente eu também como co-pilota. Mas chegamos, e chegamos com tudo! Já deu pra sentir que nossas experiências com ela serão no mínimo incríveis!
| (passando cagaço) |
Enquanto a Dani foi trabalhar eu já comecei a limpeza na bichinha, e não imaginava encontrar tantos podres na lataria quanto encontrei. Tirei todos os bancos e os tapetes e amanhã vou dar um belo banho a "vap" nela e chamar um mecânico pra ver qual o estado real da coisa toda. Eu sei que tem muuuita coisa pra fazer na Virgínia, tanto na mecânica quanto na funilaria, a gente quer pintar ela também e deixar bi-color. Aliás, minha cabeça nesse momento está um turbilhão de idéias de como deixá-la cada vez mais com a nossa cara, mas tudo isso eu vou fazendo aos poucos, sem pressa. Queremos participar o máximo possível de toda a reforma, com nossas próprias mãos. Com o blog nós vamos registrando cada passo do processo de restauro e transformação e contando nossas vivências com o novo membro da família, a Virgínia.
Esperamos que vocês embarquem junto com a gente e apreciem a viagem!
